4 de Março de 2012

Emigrando...sempre!

Agora que me preparava para repousar à sombra de uma mítica bananeira, para me emborrachar alegremente sem consequências de maior e também de me desligar formalmente de todas as ditas normais responsabilidades dos comuns mortais, eis que me ameaçam a bananeira, a improvável sombra dela, as caipirinhas e os vinhos tintos, e ainda por cima tudo isso eles fazendo em acenos de justificadas (des)responsabilidades governamentais, históricas, conjunturais, estruturais e... sabe-se lá que mais...
Agora que me preparava para morrer em paz obrigam-me a viver uma outra guerra, porém mais desarmado, mais vulnerável, menos valente...
É justa uma coisa destas, merecida...?
Penso que sim, apesar de tudo! (que outra coisa pensar?)
Porque o futuro nunca foi bicho em quem se pudesse confiar. E logo porque, sendo futuro, nunca pode ser garantido com as seguranças que os crentes desejam e muito menos através da viciada linguagem mentirosa dos políticos. E confiar no não-garantido é um tiro no escuro que já devíamos todos ter aprendido a não disparar. Nem a votar. 
Logo sou culpado, embora vítima...
E culpado sendo, em consciência optei por emigrar, proactivamente - como agora se diz -, abandonar o conforto do meu lar, o calor dos meus amigos e familiares, e sobretudo o intraduzível amor do meu J-Boy. Abandonei tudo, pois, comigo todo lá dentro; porque ser proactivo hoje é também isso, ser frio, cruel, apátrida e estupidamente revoltado mesmo sem causas nenhumas que valham tanto desprezo. 
Eis o estilo!
Fiz bem, fiz mal ?
Que interessa saber, já que a resposta é... futuro?