Generosidade amiga ofereceu-me uma quinzena de férias na praia, no Algarve. Claro que aceitei imediatamente, já que não sou rapaz para viver de nãos. Mas como também sou generoso, ofereci-lhe setecentos e cinquenta euros - que logo os empochou - já que também nunca foi menino de viver de recusas. Em resumo, fiz a uma só vez um contrato normal e um acto de generosidade; ele, por sua vez, fez o mesmo.
E assim registará a história que ambos somos dois ‘gajos’ porreiros!
E que seremos sempre amigos, e generosos, e simpáticos: gajos que não gostam de viver de recusas...
Camus disse um dia que ‘só queria ser rico para poder ter tempo!’ ; ora eu que já tenho gratuitamente o tempo todo que Camus desejava alcançar através do dinheiro, para que preciso eu de dinheiro?
Começa-se assim a descobrir a razão da minha generosidade?
Ignoro todavia as razões da generosidade amiga, mas suspeito que também ele - que já dispõe do tempo - leu as confissões de Camus e lhe imita agora os tiques existenciais, em nome da generosidade e da amizade entre os povos…!
Pois.
1 comentários:
És grande mesmo, ó Jonas. Eu não poderia ser assim tão generosa quanto tu, nem em euros nem em dias (e se calhar, nem em minutos, vida esta que me calhou). Pelo menos, há em galés agora comodidades que nenhum escravo sonhou: um ventoinha eléctrica (e só enquanto o IVA não passar lindamente aos 23%).
Boas férias, se ainda te sobraram trocos para a viagem.
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