Como escrever sobre coisas que não existem quando suspeitamos que existem?
Ou que deviam existir, já que existem tanto e tão fortes na nossa imaginação?
Hum?
Mas então inventemos-lhes – para que existam - um apenas operacional falso existir;
E assim, logo elas existindo, de imediato nos possamos descartar da responsabilidade da invenção delas;
Ou não, quem sabe...?
Falamos duma fábrica de existências inexistentes: falamos de ilusões, folks!
Das mais impressivas, pois então.
Falamos de quê? De quem?
De qual fábrica de tais fabricos?
Universo pirotécnico, este, que se arrebenta por tudo e por nada.
Pirotecnóico, a bem dizer.
Porque afinal, tudo foi não. Assim falou o Zaratrusta médico, aquele cretino:
Psicossomatismos! - sentenciou-me.
E logo aquelas horrorosas dores nas ancas - mais parecidas com mordidelas de ferozes lobos - se tornaram invenção minha; e logo aquele humilhante claudicar de pernas se tornou invenção minha...
E logo toda esta miséria de existir, assente em pés de barro, se tornou invenção minha!
Xoda-me-se!, por culpa do subdesenvolvimento da medicina, eu, todo, agora, é que sou o palhaço de palha psicossomático?
- Com este exame, fecha-se o círculo! - sentenciou.
E naquele exame - subsequentes a dezenas de outros exames - o resultado foi o mesmo:
Nada de anormal a destacar!
PQP, e eu para aqui sem forças para segurar o mangalho enquanto mijo para a traseira do ulmeiro?
E pode, um homem simples como eu, passar um familiar Natal em tranquilidade?
Pode?